Hierofante Púrpura – Sujeito sem brio

Só de falara em Hierofante Púrpura me dá vontade de sair cantando! Sou suspeita de falar qualquer coisa sobre essa banda, sou fã desde 2006, desde quando alguém me indicou [se não me engano, foi uma amiga minha]. Desde esse tempo, infelizmente nunca consegui ir em um show deles por percalços dessa vida…. [e olha que moro numa cidade vizinha da deles, Mogi das Cruzes].

Bom, vamos ao que importa: essa banda me fascinou com o EP Asugar-Çugar, que era mais instrumental e cheio de viagens guitarrísticas [a-do-ro] com letras que combinam perfeitamente com a melodia, algo meio angustiante. Para sentir essa sensação, ouça as músicas! [Recomendo todas]. Agora nesse novo EP, Adubado [2009], as músicas são mais instigantes, com o piano bem instrumentado, mais letras e a qualidade continua! Espero, de coração mesmo, que essa banda dure o máximo possível, que nem o Rolling Stones,  sendo bem menos pé frio que o Mick Jagger.

A música em sete palavras: Beija a minha boca, não vou fugir.

A banda pelas suas próprias palavras: “É o que nos mantém juntos.

Existe uma conjunção, que nem precisa ter conotação de fundo astrológico, que faz referência à certas figuras que nos relacionamos durante a vida as quais nos deixam seqüelas, por vezes irreparáveis, como vem sendo minha experiência desde 2005 com uma banda em especial, tal de Hierofante Púrpura, quando pela primeira vez assistí-la. Apesar de serem rostos já conhecidos devido às suas bandas anteriores (Noupe, FUD, Agentes) a atenção para este até então ‘novo projeto’ se virou de tal maneira que tudo que fora feito antes, apesar de importante, perdera seu efeito em minha percepção com esta nítida evolução musical. Sentia-me honrado desde já por deliciar-me da visão clara daquele prato voador no qual o alimento que seria servido por aqueles meninos era coisa fina, de gourmet. Para termos o alimento no ponto pra ser degustado e digerido é preciso cozinhá-lo, para cozinharmos precisamos colhê-lo, para colhermos precisamos fazê-lo crescer, para ele crescer precisamos plantá-lo em solo fértil com uma ajudazinha de irrigação e um bom adubo. Todos sabemos que adubar é uma prática agrícola que visa a conserva ou recuperação da fertilidade do solo através do fornecimento de adubo ou fertilizantes para suprir a carência de nutrientes no tipo de solo escolhido, proporcionando assim o pleno desenvolvimento das culturas vegetais determinantes para uma boa alimentação. Contemporâneamente falando, a banda Hierofante Púrpura de Mogi das Cruzes, hoje radicada em Sampa, nos serve em seu melhor prato da sua melhor refeição, adubando o rock capenga, bunda mole e sem muitos nutrientes que parece ter assolado o indie nacional do fim dos anos 00’s com maestria e muita personalidade, abraçando um experimentalismo de contexto poético e instrumental que é muitíssimo bem tratado em seus mais recentes EPs, o genialmente estranho ADUBADO, evoluindo para uma CRISE DE CREIZE, ambos de 2009. A procura pela libido primária em estruturas bizarras para uma primeira audição em ouvidos habituados e conveniados ao “mais do mesmo” gera sim estranheza, e este é o fator X o qual torna a Hierofante Púrpura uma das bandas mais interessantes desta atualidade descartável de velocidade rasante que atende provisoriamente pela alcunha de geração internet, afinal de contas, a contextualização musical onde são inseridas frases como “cadê aquele homem que dizia fazer pipas?”, “quem sabe um dia ser um velho mais calmo?”, “beija minha boca” ou mesmo “olho pra mim mesmo, tá tudo bem, tá legal!” nos traz um sentimento de plenitude vasta repleta de anseios para alcançá-la, como se fosse uma espiral do bem. O mostro está assim adubado. E crescente. E mais do que nunca pronto para ser servido. O instrutor, o revelador da luz, o grande mestre dos testes da vida, o sumo sacerdote da mais alta hierarquia, o hierofante vestido de roxo, nos conduz a um voo extrassensorial de percepções ilimítrofes, enchendo nossos paladares de gostos, sabores, sensações, lembranças e intenções. E o melhor é que isso tudo é palpável e está facilmente ao alcance de nossas mãos em um show do Hierofante Púrpura mais próximo de você.”

Ler mais: http://www.myspace.com/hierofantepurpura#ixzz0vpSTFTni

 

 

O peito soa, mas eu não sou servil.
Visto, me dispo, despisto, conquisto, bem quisto sou.
Vem cá meu bem.
Se um som ecoa, na sua mente vil.
Olha aqui, vem pra cá, sem sentir, sem saber, só gozar.
Rir não dá mais!
Rir não dá mais, beija a minha boca, beija a minha boca.
Beija a minha boca, beija a minha boca.
Te sangro a boca ou faço devagar, suas manias são pra me podar.
É tiro no escuro, o seu charme é nulo. E eu to afim.
E fez-se a média, a seguir arranco os olhos.
E não sou de perder o controle não, não sou de fugir.
Beija minha boca, (Ah! O meu céu… corpo e alma) beija a minha boca.
Beija. Beija a minha boca.

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por Suzanne

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